14 de jul de 2010

1948 = 1984
















Há sempre o que aprender, a cada momento, a cada leitura, a cada filme. Foi nos extras do filme 1984 que descobri que o ano que dá título ao livro não foi mero exercício futurístico de George Orwell. Foi apenas uma inversão dos números que compõem o ano em que o livro foi escrito: de 1948 para 1984. Este foi o último livro escrito por Orwell.

“1984-Livro” é completo e equilibrado. Não deixa brechas. É considerado um dos livros mais bem-acabados do século passado. Winston Smith tenta fugir das garras do Grande Irmão, uma figura fictícia criada pelo sistema (totalitário) para vigiar as pessoas em todos os lugares, públicos e privados. Os olhos do Grande Irmão estão nas teletelas – uma espécie de tv de plasma – fixadas nas paredes das residências. Smith conspira com sua amante Julia. É traído por um dissimulado amigo e cai nas garras do sistema. Sofre na pele a na mente as consequências de se rebelar contra o que seria um Stálin ou um Hitler, se tivessem obtido êxito. Pena que programetes de TV tenham banalizado o livro de Orwell. Os olhos do Grande Irmão contemporâneo recaem sobre a nossa excessiva exposição - na internet, facebooks, orkuts, etc - e, principalmente, sobre a proliferação de câmeras em locais públicos, pós-11 de setembro.



















“1984-Filme” (de Michael Redford) foi relançado, agora em DVD. É tão bom quanto o livro. Indispensável! Melhor assisti-lo após a leitura do livro, como complemento. Foi lançado justamente em 1984. Os olhos do Grande Irmão no filme são penetrantes e ameaçadores. Uma perfeita retratação de um ditador. O cenário é totalmente à Tarkowski. É como assistir ao Stalker (1979). O drama de Winston no filme é menor do que no livro. Mas ainda assim, arrasador. Difícil não se revoltar com a opressão, com a manipulação de um sistema totalitário perfeito, bem planejado.


1) O diretor MICHAEL RADFORD, assim como Orwell, nasceu na Índia em 1946. Filmou também o Carteiro e o Poeta (1984).


2)GEORGE ORWELL (1903-1950) nasceu na Índia e morreu em Londres. Foi militante socialista. Escreveu também A Revolução dos Bichos (1945).

Um comentário:

  1. Manuel Carreiro15 julho, 2010

    Já li o livro e vi o filme nos idos de 1999, quando começava ainda a graduação em Filosofia... puxa, faz tanto tempo que sequer me lembro qual professor passou esse filme...

    Bom, este post me instigou a revê-lo.

    :-)

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